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Over the line (do outro lado da linha)

  • vieirabrancojulia
  • 31 de jan. de 2016
  • 2 min de leitura

Na ilha de Providencia, uma pequena ilha colombiana perto do Panamá, participei numa das atividades mais marcantes de que me lembro – o “over the line”.

“Over the line” é um género de jogo (que de brincadeira não tem nada), que se aplica em grupos com o objetivo de aproximar as pessoas.

“Todas as pessoas que ………………… que passem para o outro lado da linha”.

O funcionamento é bastante simples. Todos os participantes estão à esquerda de uma linha desenhada no chão e há um líder da atividade que, no nosso caso, foi uma psicóloga chamada Annemarie.

Ao longo da atividade a função do líder é, ao longo de várias rondas, dizer “todas as pessoas que ………….. passem para o outro lado da linha”, completando a frase aludindo aos mais diversos tópicos. Nós, participantes, temos que ser o mais sinceros possível, passando, de facto, para o outro lado da linha se a condição dita pelo líder se aplicar ao nosso caso.

Começámos pelos tópicos leves, como “todas as pessoas que já lavaram a roupa em casa passem para o outro lado da linha” ou “todas as pessoas que sabem como içar as velas no barco passem para o outro lado da linha”.

Não tínhamos noção de quão pesada a atividade se podia tornar, mas rapidamente nos apercebemos.

Rondas relativas a assuntos pessoais começaram a surgir. Acidentes sofridos, vítimas de bullying, orientação sexual, perdas de pessoas próximas, dificuldades em casa ou distúrbios alimentares foram exemplos de temas abordados.

De problemas pessoais passou para a nossa percepção do papel que cada um tem no grupo. Desde pessoas que se sentem oprimidas ou sozinhas a bordo, a pessoas que não se sentem aceites pela tripulação.

Para terminar a atividade, sentamo-nos num círculo, desta vez sem a Annemarie, e um a um, partilhámos com o grupo segredos pesados ou apenas problemas que nos incomodam.

Pacientemente, esperámos que cada um tivesse a coragem para contar estes pequenos segredos ao grupo.

Vivemos diariamente uns com os outros – desde acordar até dormir. Partilhamos o mesmo confinado espaço há três meses e meio, mas afinal de contas não nos conhecemos tão bem como pensávamos.

Em diversas situações, ficamos entusiasmadíssimos com as pessoas que passaram a linha em determinadas rondas. Afinal aquela pessoa que está sempre a sorrir sente-se sozinha ou aquele que tanto fala sente-se oprimido!

Depois do jogo, uma necessidade de reflectir sobre nós próprios, como elementos individuais mas também como elementos de um grupo, assolou todos os trinta e quatro alunos.

Sem dúvida que, depois daquele dia em Providencia, algo no grupo mudou. Tornámo-nos mais preocupados uns com os outros e muito mais próximos. Passámos a ter em atenção determinados pormenores que anteriormente nem considerávamos.

É fantástico, ainda que sejamos trinta e quatro cabeças diferentes, somos, sem dúvida alguma, um só.

Blue Ju


 
 
 

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